Mudanças na Diocese de Juazeiro: Bispo anuncia transferências do clero; Padre Josemar deixará Juazeiro

6 de outubro de 2019 at 14:24 Deixe um comentário

 

O Bispo de Juazeiro Dom Carlos Alberto Breis Pereira, Dom Beto, comunicou, em documento, uma relação de padres da Diocese, que serão transferidos ou nomeados.

“Ninguém goza de estabilidade indefinida, nem os bispos!”, parafraseando o Bispo José Carlos Campos, de Divinópolis, Minas gerais, Dom Beto justificou as transferências.

“O Bispo não transfere porque tem prazer em fazer isso, porque simplesmente “faz parte” ou porque quer exercitar sua capacidade de reorganizar Diocese a cada ano”, publicou o religioso.

Encabeça a lista de padres que serão transferidos, o Pároco de Juazeiro, Josemar Mota, que durante 8 anos atuou na Diocese, tornando-se muito querido pela comunidade. Padre Josemar criou a celebração “Hora da Graça”, que acontece todas as quintas-feiras, às 13 horas, na Catedral de Juazeiro, atraindo centenas de fiéis.

De acordo com Dom Beto, para decidir pelas mudanças, ele ouviu “o parecer do Conselho Presbiteral e considerou o bem dos fiéis”.

“Depois de conversas pessoais marcadas por um discernimento à luz da fé e da missão própria dos presbíteros, o que inclui missionariedade e itinerância, ouvindo o parecer do Conselho Presbiteral e considerando o bem dos fiéis, comunicamos a todos os interessados as seguintes transferências e nomeações de presbíteros de nosso Clero”, anunciou o Bispo.

Segue:

1. PADRE JOSEMAR MOTA DA SILVA – da Paróquia Nossa Senhora das Grotas
– Catedral para a Paróquia São João Batista, de Uauá. Pároco.
2. PADRE JOSÉ ERIMATÉIA DE OLIVEIRA – da Paróquia São João Batista, de
Uauá, para a Paróquia Nossa Senhora das Grotas- Catedral. Pároco.
3. PADRE ANTONIO FERNANDES DIAS – da Paróquia São Francisco de Assis,
Maniçoba – Juazeiro, para a Paróquia Santa Teresinha, Juazeiro. Pároco.
4. PADRE IBIS CASSIUS DEMETRIUS DE S. PEREIRAL – da Paróquia Santa
Teresinha, Juazeiro, para a Paróquia São Francisco, Sobradinho. Pároco.
5. PADRE VALMIR COLOMBO, da Paróquia São Francisco, Sobradinho, para a
Paróquia São Francisco de Assis, Maniçoba – Juazeiro. Pároco.
6. PADRE JODEAN AMANCIO DOS SANTOS, de Feira de Santana, Vice-Reitor
do Seminário, para a Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Juazeiro. Vigário
Paroquial. Coordenador do Serviço de Animação Vocacional (SAV)
7. PADRE GILVAN RÉGIO (concluindo seu Curso de Mestrado em Direito
Canônico pelo Pontifício Instituto Superior de Direito Canônico, no Rio de Janeiro)
– Vigário Paroquial das Paróquias Nossa Senhora de Fátima, Juazeiro, e São José,
Sento Sé. Juiz Instrutor da Câmara Eclesiástica Diocesana (a ser criada).
8. PADRE WALTERSON VARGAS – Vigário da Área Pastoral Santa Teresinha,
Carnaíba do Sertão, nomeado responsável pelo acompanhamento dos seminaristas

Por que o Bispo precisa transferir padres?

Esta pergunta, olhando as reações a essa prática comum na Igreja, poucos se fazem ou buscam respostas.
Normalmente ficam em posturas mais afetivas ou possessivas: “nosso padre”, “ele estava bem aqui”, “ele não pode sair”, “o senhor não pode tira-lo de nós”…
Apesar de haver também os que querem ver longe o padre que têm e apresentam até listas de “queremos estes”. Este tempo é sempre de fadiga e de caras feias. Mas de aprendizado e de graça!
Vamos jogar alguma luz sobre isso! O Bispo não transfere porque tem prazer em fazer isso, porque simplesmente “faz parte” ou porque quer exercitar sua capacidade de reorganizar Diocese a cada ano. Antes de reclamar ou reagir, pense nestas palavras:
 A transferência não é um ato arbitrário e autoritário que recai e pesa sobre a pessoa do bispo. As decisões e transferências são pensadas e construídas num conselho de padres, demandam longas conversas e, às vezes, várias reuniões.
Não estamos brincando com pessoas. Os padres são colaboradores indispensáveis e preciosos do bispo, que não tem de cuidar desta ou daquela paróquia, mas de todas, ao mesmo tempo. Todas as transferências foram
conversadas, construídas com cada padre. Ninguém foi transferido “a ferro e fogo”, acorrentado e arrastado. Até isso, é bom não esquecermos, pois Jesus o previu a Pedro (Jo 21,15-19). Acerca dos transferidos, houve uma ou mais propostas, uma justificativa, um convite, uma decisão tomada a dois ou a três.
Sei o quanto é difícil transmiti-la ao povo, mas ela não foi impositiva e vertical.
 Normalmente, e isso é humano e bom, criam-se amizades fortes e importantes com o padre durante o tempo, curto ou longo, de permanência, mas não se pode esquecer que o padre não é “seu” ou “nosso”, mas é da Igreja, da
Diocese e colaborador do bispo. Isso não é arbitrário, é da natureza da nossa vocação sacerdotal e episcopal.
 A justificativa de o padre ser bom e querido, ter pouco tempo ali, ter feito bons trabalhos, tudo isso é louvável, mas os critérios são mais abrangentes. A vida paroquial é um leque de responsabilidades, competências e
interlocuções. Ninguém é bom em tudo (ou poucos são bons em tudo!). Daí a necessidade de se avaliar a permanência ou não por critérios que ultrapassam o afetivo e o prático. A vida paroquial, sobretudo para os que estão sozinhos numa paróquia, exige múltipla atenção e variada atuação por parte do padre. Aprender isso é um caminho. Nem sempre feito no lugar onde o padre se encontra no momento.
 É mais fácil apresentar o pedido de transferência quando a permanência já se esticou e até ultrapassou tempos legais. A mudança fará bem a todos, ao padre e à comunidade. Isso obriga a repensar relações, modos de servir e
processos novos. Ninguém goza de estabilidade indefinida, nem os bispos! Prazos ajudam a gente a rever muitas posturas, manias e relações.
 Há também a postura fechada que assegura que a paróquia “nunca será a mesma” se o padre sair. Nem a paróquia nem ninguém é o mesmo nunca.Cada dia, cada pessoa, cada situação põem acréscimos novos (bons ou maus). Como posso saber que o outro que vem é, por antecipação, incapaz de continuar e fazer avançar um processo iniciado? Não é precipitação e preconceito? Vidas e relações experimentamos não a partir de fora, mas a
partir de dentro.
 Se um determinado sacerdote é dotado de muitas qualidades e competências a ponto de trazer grandes alegrias e avanços a uma comunidade, ele não pode ser possuído por esta comunidade como um “bem inalienável”. Outros
lugares precisam dele e dos seus dons. Ele pode ser o pastor que a comunidade vizinha precisa em vista de suas demandas pastorais, espirituais, administrativas, humanas…
 A última coisa, mesmo tendo ainda outras considerações, é que nós, padres diocesanos, não estamos desobrigados da dimensão missionária da nossa vocação sacerdotal. Por mais que eu tenha meus gostos e meu perfil, não posso me limitar ao universo de duas ou três paróquias que “teriam meu estilo”. A missão se vive em tempos e modos diferentes. Numa paróquia com a qual eu me identifico menos, talvez não fique tanto tempo como numa outra mais conforme meu perfil, mas isso não me dispensa de pequenas experiências. Elas têm uma força de testemunho diante do povo de Deus, dos demais irmãos padres e dos seminaristas.
“É preciso visitar os cemitérios para ver os nomes de tantas pessoas que se consideravam imunes e indispensáveis”

(Papa Francisco, em discurso aos prelados da Cúria, em dezembro de 2014).

Preto no Branco

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