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Lula com Renan e Alckmin com Collor

9 09UTC agosto 09UTC 2018 at 12:20 Leave a comment

Graciliano Ramos, o grande escritor alagoano, tinha uma tese sobre a geografia e o destino das nações. Ele dizia que todos as potências mundiais contavam com um golfo em seu território. “Procure depois os países que não têm golfo. São todos sem importância, como é o caso do Brasil”, condenava.

Para superar essa limitação, o autor de “Vidas Secas” sugeria a seguinte medida: cavar um buraco no lugar da sua terra natal. O oceano avançaria sobre todo o estado, formando o Golfo das Alagoas.

A ideia de Graciliano nunca foi adiante. Os alagoanos continuaram no mesmo lugar, governados pela mesma elite política. Em 2018, ela se dividirá em alianças que resumem a grande barafunda nacional.

O tucano Geraldo Alckmin entregou seu palanque a Fernando Collor, que será candidato a governador. O presidenciável costuma repetir que quem enriquece na política é ladrão. O ex-presidente é réu na Lava-Jato, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.

A aliança já produziu uma baixa. O ex-governador Teotônio Vilela Filho, dono do PSDB alagoano, avisou que não participará da campanha. “Meus correligionários sabem que não voto em Collor em nenhuma hipótese”, justificou-se. Alckmin não se importou. Topa tudo pelo tempo de TV do centrão.

O PT fechou negócio com Renan Filho, o primogênito de Renan Calheiros. O senador apoiou o impeachment e pertence ao MDB de Michel Temer. Ao pedir votos, defende Lula e faz discurso de oposição.

O ex-presidente não guarda mágoas. Em visita recente ao estado, usou sua popularidade para turbinar o aliado. “Renan sempre nos ajudou a votar tudo para melhorar a vida do povo brasileiro”, elogiou.

Antes de se consagrar como escritor, Graciliano foi prefeito de Palmeira dos Índios, no agreste alagoano. Numa carta famosa, resumiu o funcionamento da política local: “Para os cargos de administração municipal, escolhem de preferência os imbecis e os gatunos”. “Tenho na cabeça uns parafusos de menos, mas não sou imbecil, não dou para o ofício e qualquer dia renuncio”, acrescentou. Ele cumpriu a promessa após dois anos no cargo.

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