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Blog de Juazeiro denuncia: Convite para “Baile da Novinha”, em Juazeiro, reforça mulher como mercadoria e pode configurar exploração sexual

24 24UTC Março 24UTC 2018 at 10:29 Leave a comment

Um leitor do PNB, que pediu pra não ser identificado, entrou em contato com nossa redação para demonstrar sua indignação com um “convite” que recebeu em um grupo de WhatsApp para uma festa intitulada “Baile das Novinhas”, que acontecerá no dia 28 de abril, na Chácara São Francisco, no João Paulo II, em Juazeiro.

A divulgação cita que no evento haverá “piscina liberada” e “muitas novinhas bonitas”.

#Eittaaaa vai gerar Balalaika de graça pra Elas ❤😍🍺🔊“, anuncia o convite.

A Balalaika ou Balalouka é uma bebida à base de vodka, considerada alucinógena, que pode ser consumida misturada com energético. Segundo pesquisas feitas pelo PNB, a Balalaika é reconhecida atualmente pelos jovens brasileiros como bebida que não pode faltar em festa universitária para fazer a galera dar ‘vexame’.

Para entrar na festa, de camisa e copos personalizados, mulheres pagam a quantia de 25 reais, e homens, 30 reais.

Já quem prefere as “pulseiras brilhantes”, paga 50 reais, com direito a bebida free (livre).

Esta poderia ser uma festa cujo objetivo seria a diversão dos jovens, mas não. A divulgação reforça o caráter sexista do evento e reafirma a imagem da mulher como mercadoria e atrativo sexual, enfatizando a erotização e fragmentação dos corpos.

 

O convite, de forma tosca, informa que “a novinha que dançar melhor no dia da festa ganhará 2 litros de Balalaika” e que se ela “tiver com a roupa mais 😋😈 (leia-se provocante, exposta) ganhará um fardo de skol beats”. Nitidamente incentiva o consumo de álcool e desrespeito à mulher.

A estratégia de festas deste tipo, desde a venda dos ingressos até as músicas tocadas, investe na figura da mulher como objeto de desejo masculino e legitimam os diversos tipos de violência: física, sexual, simbólica, psicológica, entre outras.

O mais grave está em atrair “novinhas”. Seriam adolescentes? Neste caso, fere o Estatuto da Criança e do Adolescente e pode configurar exploração sexual, crime tipificado e de penalidade estabelecida também no Código Penal.

A Exploração sexual consiste além da utilização de crianças e adolescentes em atividades sexuais remuneradas, a pornografia infantil ou a exibição em espetáculos sexuais públicos ou privados. Então, não é somente quando ocorre o ato sexual propriamente, mas inclui também atividade erótica que implique proximidade físico-sexual entre a vítima e o explorador.

Nós conseguimos contato com o responsável pela festa, o jovem Alex Santos, que nos informou que o evento é em comemoração ao aniversário de um amigo e além dos convidados, está aberta também a pagantes. Ele disse que a segurança pede documento de identidade, mas acabou confessando que entram meninas de 17, 18 anos.

Alex também nos disse que ó local do evento é alugado e que esta é a primeira edição da festa que ele realiza.

Ele finalizou nossa conversa afirmando que o objetivo da festa é  “apenas diversão” e que este tipo de evento é comum na região.

Nós já informamos sobre o evento ao Juiz José Carlos Rodrigues, da Vara da Infância e Juventude, que deverá adotar providências.

Da Redação por Sibelle Fonseca

 

Do Blog Preto no Branco

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